domingo, 23 de outubro de 2016

insegurança.

...
"Sofia, estás bem?"
"Sim."
"De certeza? Não se passa nada?"
"Não, estou bem."
E abanei a cabeça umas cinco vezes enquanto tentava meter a cara mais convincente que eu conseguia.
Mas, simplesmente não sabia mentir.

Eu não estou bem. 
E não vou conseguir estar bem. 
Acontece que me estou a apaixonar e vocês, espantados, perguntam: "E é por isso que te sentes mal? Estar apaixonado é tão bom!" Eu sei que é. No entanto, no meio das borboletas, dos sorrisos, das trocas de olhares, beijos e "gostos de ti", existe um pequeno monstro que se chama insegurança.
 E ele gosta de se infiltrar na tua cabeça e recusasse a sair de lá. Acho que nunca conheci ninguém que se visse livre dele, acho que, de facto, nunca me vou sentir livre dele. Já aguento com a sua presença há 8 anos, ou pelo menos quando me apercebi que era mesmo insegura e que se tornou um problema na minha vida.
Continuando, esse monstro é um verme horrível, porque te está sempre a deitar-te abaixo e a tentar matar-te aos poucos.
"Ele não gosta verdadeiramente de ti", "Olha para ti, és gorda", "Vais comer à frente deles e eles vão ficar a olhar para ti, a pensar no quão gorda és", "Vês aquelas pessoas a rirem-se? Devem estar a rir-se da tristeza que és"...
E isto nem é metade do que me diz. Se eu escrevesse tudo o que já me disse, seria do tamanho da biblía ou maior. Enfim, tenho de viver com ele. Mesmo que me doa, porque vai sempre doer, vai sempre fazer-me chorar, vai sempre matar a minha pessoa. Eu posso tentar matá-lo a ele, mas do que adianta, se ele já matou metade de mim?
Que saudades da ingenuidade infantil, já vai tão longe...
Até logo, 
                          Sofia


Sem comentários:

Enviar um comentário

Apetece-te comentar?
Então, comenta (desde que não sejas mauzinho).